Venho aqui contar a história de uma amiga, cujo contato resgatei graças ao Sovinas. Poderia ser um conto de terror financeiro, que posso apostar é realidade na vida de muita gente.

Como acontece na maioria das famílias, na casa dela, o marido é (ou era) o responsável pelas finanças. Ambos trabalham, possuem bons salários… mas por forças sobrenaturais (conhecidas por nós como falta de educação financeira), o dinheiro não dava. Acabava a grana e sobrava mês, regularmente. Até que ela resolveu dar um basta. Só que ela não sabia quanta poeira tinha embaixo do tapete até resolver arrumar a casa.

Para começar, os dois são profissionais liberais. O marido, principalmente, trabalha em diversos lugares e de cada um recebe o salário em uma data e em uma conta corrente diferente. Logo, ela não sabia ao certo qual era a renda mensal da família. Compras do mês não existiam, os itens eram adquiridos por demanda, o que faz o custo total ser muito mais alto. Cada filho (num total de quatro, sendo dois do primeiro casamento dele) tinham suas respectivas Previdências Privadas (aguarde na linha, senhora, porque não é bem assim). Contas desorganizadas, investimentos com rendimentos pífios e muito caos.

Eis que ela descobre uma dívida na casa dos seus milhares de reais – era um empréstimo cuja finalidade ainda não sabemos. Além disso, as diversas contas correntes do marido não traziam nenhum benefício, pelo contrário, todas estavam no vermelho, todas no cheque especial que possui um dos juros mais estratosféricos do planeja. (A senhora ainda está na linha, senhora? Voltei com a informação correta. A senhora pode anotar?) A Previdência Privada dos filhos não era previdência, cujo débito mensal ela poderia suspender e manter o saldo rendendo, eram seguros de vida e dois meses sem pagar já gera perda da cobertura. Para finalizar, não satisfeito em ter um, o marido tinha TRÊS títulos de capitalização. Por que, senhor, por quê???

Essa faxina financeira não está sendo fácil para ela. Bate o desespero, o sentimento de estar num poço sem fundo e só cair, cair cair… Ela está há noites sem dormir por preocupação com as dívidas. E tudo isso porque nem ela nem o marido nunca tiveram acesso à informação financeira. Seja por qual motivo for, desinteresse ou por não saber onde buscar.

E não podemos julgar pensando “quem contrata seguro pensando que é previdência?” ou “quem compra três títulos de capitalização?” Afinal, quem nunca ajudou o simpático gerente do banco que liga dizendo que falta só mais uma venda para bater a meta do mês. Eu já fiz isso algumas vezes (#mejulguem).

Desde que ela começou a fazer a faxina financeira, falamos toda semana. E, apesar de ela estar bem triste com toda a situação, eu estou muito orgulhosa dela. Pois ela tomou a iniciativa de ir atrás. Ela quer investir, mas não se sente capaz de fazer isso com o caos financeiro em que vive hoje. E eu acho que ela está certíssima.

Confio na capacidade dela de vencer essa etapa tão dolorosa que é tirar toda a poeira debaixo do tapete. E mais, tomar as rédeas de uma situação que ela achava que estava sob controle, mas não estava. É preciso ter coragem para mudar comportamento. Toda mudança traz incômodo, na maioria das vezes sofrimento e insegurança. Mas até quando é possível ficar numa situação que não nos traz benefício algum?

Ela me autorizou a contar esta história para servir de inspiração a outras Sovinas do grupo. Quantas aqui não devem estar adiando ou simplesmente negligenciando sua saúde financeira? Quanto mais postergarmos, mais o problema aumenta. Seja para fazer a faxina financeira como minha amiga, seja para encontrar investimentos com melhor rentabilidade, a hora de agir é agora.

Quão doloroso é fazer a faxina financeira?

Elaine Fantini


Jornalista por formação. Repórter não praticante. Amante da comunicação e do marketing digital. Investidora nas horas vagas.


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