Vira e mexe quando aparece algum estudo sobre os salários menores que as mulheres recebem, como elas são desprivilegiadas no mercado de trabalho ou assediadas e muitos outro perrengues que passamos, aparece um ser humano fora de órbita para falar que é “mi mi mi”. É difícil compreender como a cabeça desses seres funciona (às vezes há mulheres pensando dessa forma também, vai entender). São estudos sérios, fatos, dados, não é achismo, mas eles se recusam a acreditar.

Talvez porque não aconteça perto deles, eles acham que não é real. Como afirma Nassim Taleb, não confunda ausência de evidência com evidência de ausência.

Já que discussão pouca é bobagem, vamos adicionar mais um “mi mi mi” feminista à polêmica.

Por que falar de investimentos com mulheres especificamente?

Primeiro de tudo, porque eu quero. Tem gente que fala de futebol, moda, carros. Eu resolvi tentar chamar a atenção das mulheres para os investimentos. Em segundo lugar, porque somos minoria nesse universo. Você já checou os dados? Na Bolsa de Valores brasileira, a B3, nós representamos menos de 23% dos CPFs cadastrados. No Tesouro Direto, o percentual mal chega a 28%. E em terceiro lugar, os dados a seguir mostram que justamente para nós é tão importante saber cuidar do próprio dinheiro.

#1 Ganhamos menos

Não adianta espenear. Pesquisas internacionais e nacionais mostram que as mulheres ganham salários menores que os homens. The Global Gender Report 2017, do Fórum Econômico Mundial, analisou 144 países e mostrou o Brasil na 90ª posição no ranking geral e na 83ª no quesito igualdade econômica e de oportunidade. O estudo de Estatísticas de Gênero, divulgado pelo IBGE em março desse ano, apurou quem em média as mulheres ganham 76,5% do rendimento dos homens. Uma pesquisa do Instituto Locomotiva, publicada no Estadão, revelou que um homem branco, de 39 anos, nascido em São Paulo, com curso superior, ganha 68% a mais que uma mulher branca, na mesma situação e que uma mulher negra recebe ainda menos que uma profissional branca com as mesmas qualificações.

#2 Vivemos mais

Segundo o IBGE, as mulheres que chegam aos 60 anos têm expectativa de vida 24% maior que os homens que chegam na mesma idade. Levando em consideração que o brasileiro vive em média 75,8 anos, são pelo menos mais 15 para viver por conta dos próprios rendimentos.

#3 Interrompemos mais a carreira para cuidar dos filhos ou entes queridos

Uma pesquisa da FGV, noticiada pelo Nexo, apontou que 51% das mulheres deixam o trabalho após ter filhos. A maternidade também atrapalha o retorno delas ao mercado de trabalho, foi que constatou um estudo feito pela economista e pesquisadora do Insper Regina Madalozzo. O mesmo fenômeno é observado pela economista e pesquisadora italiana Annamaria Lusardi, referência mundial em educação financeira, em diversos estudos.

#4 Estamos mais sujeitas ao desemprego

Dados fresquinhos do IBGE, mostraram que no primeiro trimestre desse ano, o índice de desemprego entre as mulheres foi de 15%, enquanto entre os homens, 11,6%.

Mas é tudo mi mi mi. Ou a gente toma as rédeas da nossa vida financeira, ou ainda vamos passar muito perrengue nessa vida.

bjo&invista

Mais um mi mi mi feminista

Elaine Fantini


Jornalista por formação. Repórter não praticante. Amante da comunicação e do marketing digital. Investidora nas horas vagas.


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