Relacionamento sério com o dinheiro

Relacionamento sério com o dinheiro
Em um relacionamento sério com o dinheiro

Sovinas, amigas, obrigada por cruzarem o meu caminho. Sabe quando algo aparece na sua vida, “de repente”, e tudo começa a te levar ao encontro deste algo? Pois bem. Recentemente, depois de já ter trabalhado — com alegria, gente, porque, sim, eu gosto de trabalhar — quase pela metade dos meus mais de 30, deparo-mo com o seguinte: meu dinheiro. E, também, a ausência dele.

Entrei cedo, por escolha, no mercado de trabalho e sempre me orgulhei de buscar minha autonomia e independência financeira. Comecei a trabalhar às vésperas de entrar na faculdade e saí da universidade trabalhando. Nunca parei. Foi então que, há cerca de dois anos, decidida a tomar o controle sobre a minha carreira, meu tempo e, principalmente, minha vida pessoal, pedi demissão e mudei de cidade — de São Paulo para o Rio de Janeiro. Como eu tinha boas economias, imaginei — melhor se eu tivesse “calculado” — que conseguiria segurar as pontas como freelancer até me recolocar na nova capital que escolhi para chamar de minha.

O tempo passou, a vida pessoal ia muito bem, obrigada, mas o trabalho, nem tanto. Eu estava prestando um concurso público e quase garantindo minha vaga, com um ótimo sétimo lugar. Eu precisava ficar em 3º. Fiz uma pausa nos trabalhos para me dedicar apenas ao concurso. Foram dois ou três meses sem remuneração. Fiquei em 4º no concurso. Não classifiquei e, num belo — mentira! —, num terrível, feio muito feio fim de mês, as contas não fecharam e o aluguel ficou em débito.

Quem me conhece sabe que não sou consumista, não gasto à toa, não sou de luxos e sei poupar. Como, então, eu poderia estar sem dinheiro para pagar a minha parte — vejam que não era nem o valor inteiro — do aluguel??? Foram quase dois anos de Rio de Janeiro e voltei para a casa dos meus pais, falida.

Eu negligenciei minha relação com o meu próprio dinheiro e o deixei solitário.

Em nem dois anos, as economias de quase duas décadas acabaram. Culpa da crise, culpa do Rio de Janeiro absurdamente caro, culpa da profissão desvalorizada (isso é MUITA VERDADE), mas culpa minha também, por tabela. Pelas minhas escolhas? De forma alguma. Pela minha negligência. Eu negligenciei minha relação com o meu próprio dinheiro e o deixei solitário. E só percebi quando ele já tinha desistido de mim!

Em uma palestra da Rosana Verdan sobre organização financeira, acordei para o fato de que eu simplesmente não olhava para o meu dinheiro. Eu achava que enquanto ele estivesse quietinho lá no banco, cobrindo minhas contas, estava tudo bem. Ouvindo Rosana falar, entendi que, talvez, eu evitasse uma relação mais próxima. Entendi o quanto existe no Brasil uma cultura negativa do dinheiro, como se ele viesse do mal e causasse o mal, associado a uma cultura de corrupção, problemas e materialismo besta.

Outra coisa que ficou transparente: eu não tenho educação financeira. Nem a maioria dos brasileiros e dAs brasileirAs. Ou seja: eu ganhei dinheiro com o meu trabalho, eu poupei, eu tive dinheiro, e não soube tê-lo. Porque é preciso saber ter dinheiro. Saber que se ele é seu, por suor e por direito, ele é do bem! Saber ter dinheiro é saber olhar para ele e cuidar dele com felicidade!

Essa foi a minha primeira grande lição financeira. E quando a aprendi, comecei a refazer minhas economias. Os trabalhos começaram a reaparecer e vibro a cada centavo que entra na minha conta. Há duas semanas, paguei minha dívida do aluguel. Estou me alfabetizando e quero investir bem.

Por isso a euforia e o conforto de encontrar as Sovinas! Com certeza não sou a única a engatinhar no mundo das finanças e dos investimentos, e andar com as mais — e bem mais! — experientes vai facilitar um bocado! Re-encontrei meu dinheiro. A reaproximação não foi tão rápida mas, agora que reatamos, estamos seguindo firmes! Que os próximos passos sejam a caminho da multiplicação!

Ana Cappellano
Personal organizer, professora, jornalista (e futura investidora!)

Em um relacionamento sério… Com o meu dinheiro!

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One thought on “Em um relacionamento sério… Com o meu dinheiro!

  1. Essa é a verdade absoluta: é preciso saber ter dinheiro. Depoos que a gente descobre que dinheiro é coisa boa, a gente olha mais pra ele, alisa e fica feliz quando cobsegue juntar. Lindo depoimento que vai inspirar até as sovinas mais antigas.

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