Essa é a pergunta que mais ouço sempre que começo um papo sobre investimento. Após muitos anos de displicência com meu dinheiro e dificuldade declarada com matemática financeira era totalmente compreensível o espanto das pessoas.

Ser displicente significava não saber meu salário líquido (sim, caras) ou fazer qualquer controle de quanto gastava no mês. A verdade é que eu nem gostava de acessar minha conta no bankline para não tomar um susto; as poucas vezes que fiz, estava no vermelho.

Aos 20 e poucos anos, o máximo que eu tinha conseguido guardar foram R$ 10 mil, que logo transformei em um notebook novo e uma viagem de um mês para Barcelona. Pronto, conta zerada de novo.

Em 2015, eu então com 33 anos, e ouvindo os conselhos (na verdade, apelos) da minha mãe, achei que era hora de começar a investir e me preparar para o futuro. Afinal, os anos passavam e eu não tinha guardado nada… Abri meu holerite pela primeira vez na vida (frio na barriga) e fui procurar o Itaú, meu banco, para começar uma previdência.

E daí em diante fiz aquele básico: montei uma poupança, agendei o carregamento automático de uns R$ 250,00 por mês para a previdência e, quando conseguia juntar mais, comprava um CDB emitido pelo próprio Itaú ou investia em algum fundo indicado pelo gerente.

Estava feliz e confiante de que tinha tomado as melhores decisões e que se essa rotina fosse mantida, estaria preparada para viver uma aposentadoria emocionante regada a viagens exóticas e bebidas de guarda-chuva no Caribe.

Santa inocência…

O sonho (e o pesadelo) da casa própria

Em 2016, com a baixa no valor dos imóveis, percebi que conseguiria dar entrada na minha CASA PRÓPRIA se usasse todo o dinheiro que eu tinha na vida, inclusive o da previdência, e o FGTS. “E daí ficar sem dinheiro?”, pensei. “Vou ter a minha tão sonhada casa.” Sonhada porque no Brasil ter casa própria é sinal de que você é alguém na vida e que se tudo mais der errado, pelo menos você tem onde morar.

Comecei uma busca insana por imóveis. Cheguei a ver mais de 15 apartamentos e me apaixonei por um no bairro do Paraíso, há 3 quadras da Avenida Paulista, pela pechincha de R$ 400.00,00 (que mora em São Paulo sabe que um apartamento nessa localização não costuma sair por menos de R$ 600.000,00.

O susto veio quando fui abrir a conta na Caixa e fazer a simulação do investimento. A parcela da prestação era absurdamente alta (muito mais alta que o valor do aluguel que pagava na época) e só conseguiria pagar o imóvel em 35 anos. Resolvi colocar todos os custos na mesa e descobri que este apartamento de R$ 400.000,00 sairia mais de R$ 1 milhão se eu não conseguisse quitá-lo em menos de 35 anos. Mais de R$ 600.000,00 só de juros!!! Fora a escritura, registros, reforma, decoração, etc…

Achei melhor pensar.

Meu dinheiro trabalhando para mim

Era outubro de 2016 precisei passar uns dias no hospital e aproveitei o tempo à toa para ler sobre o assunto e tentar descobrir se não existia um pai de santo, cigana, pajé que fizesse o valor total do financiamento não ser tão péssimo.

Não tinha. E ponto! Pior, cai em um artigo do Primo Rico (leiam, é libertador) falando das mil e uma desvantagens de comprar um apartamento financiado. Achei o nome do canal estranho e fui buscar outras fontes. Todas, absolutamente, TODAS diziam a mesma coisa: não compre apartamento financiado, tire seu dinheiro do banco e comece a investir.

Opa! Investimento? Dinheiro que trabalha sozinho? Me interessei. Mergulhei de cabeça.

De lá pra cá, abri conta em corretora, descobri que poupança não é investimento, que o CDB do banco é uma merda e comecei a seguir à risca as cartilhas de quem investe há mais tempo. Engoli livros e virei a madrugada vendo vídeos do André Bona para conseguir montar minha carteira de investimentos, que vem sendo cuidadosamente cultiva e alimentada desde então.

As dores, alegrias, dúvidas e bons achados da minha trajetória como investidora amadora, vai estar aqui no Sovinas.  Espero que sirva de inspiração para você mudar de vida e começar a sonhar com uma aposentadoria RYCA e regada a bebidas caribenhas. Quem sabe a gente não se encontra por aí…

 

 

 

 

Nooossa, você investe? Mentira…

Anita Delmonte


Jornalista, produtora de conteúdo, marketeira e investidora sovina (por esforço próprio).


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